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O caminho faz-se bebericando

Atualizado: Mai 8

Não sei qual o dia exacto em que decidi fazer da cerveja a séria epígrafe da minha vida. Não obstante seriedade e cerveja serem palavras normalmente pouco relacionáveis, a verdade é que a ela passou progressivamente de bebida de eleição a prioridade. De prioridade a profissão. O facto é que, envolto nas suas efervescentes, frenéticas e divertidas bolhas, hoje em dia bebo literal e figurativamente da minha paixão.


Muito provavelmente tudo começou quando o metediço nariz mergulhou a pique num copo cheio de IPA ou outra qualquer cerveja lupulada. Ou talvez tenha sido após embrulhar o palato numa roliça e espirituosa delícia maltada. Seja como for, há sempre esse dia, para aqueles que se dignam à experimentação há sempre o dia da saborosa epifania. Às vezes os sentidos descobrem algo além do aborrecimento insípido e ditador das cervejas industrialmente todas iguais. Quando o rigor processado é norma, uma qualquer extravagância é suficiente para impressionar. No meu caso, não só impressionou como apaixonou. Foi decididamente ​num desses episódios que toda uma cadeia de acontecimentos encetou, e me conduziu até aqui. Ao preciso ponto desta caminhada onde palavras e goles se confundem nesta primeira edição de muitas (esperemos) interacções convosco neste pseudo blógue.

Há cerca de três anos, ainda no Funchal, a cerveja era por mim encarada enquanto redução do desconforto metafísico de existir. Um prazeroso revigorante social. E nesse encadeamento passou o tempo, copo após copo. Entretanto a Vilhoa nasceu, transformou-se, adaptou-se. Actualmente vivo há cerca de três anos na bela e bruta cidade do Porto. A razão de tal mudança prende-se com o meu actual trabalho na ​OPO 74 Brewing.​ Neste projecto avoco uma função de difícil definição. Sou uma espécie, quiça, de defensor da boa cerveja. Um subtil facilitador de copos. Catalisador de vendas, eventos e ideias (algumas vezes estúpidas, outras assim-assim). Imaginem, talvez, um ébrio soldado nessa árdua luta de trincheiras que é a evangelização da cerveja alternativa, independente, verdadeira, artesanal, ou seja lá qual for o termo certo. Na verdade, considero-me um madeirense adoptado pelo Porto e devo à cerveja não só a minha nova cidade mas muito mais. Faça lá o que fizer, encontrei na cerveja um incrível elixir de descobertas, amizades e bem-estar. Mais do que um emprego entusiasmante e um novo estilo de vida, a cerveja tem sido para mim um esconderijo e um altifalante.


O presente texto tem apenas um carácter introdutório, é uma espécie de apito de partida aos pequenos devaneios que surgirão neste capítulo do nosso novo (e muito amador) site. Confesso padecer da condição de entusiasmado bebedor com necessidades compulsivas no que à escrita diz respeito. Caso para dizer: bebo, logo escrevo. Mas atenção, não pretendo ser o único interveniente. Neste espaço daremos voz a mais pessoas, e novas ideias. Ainda assim, pouco ou nada sabemos sobre o futuro destes textos. Arriscaremos com pouca táctica e muita bola na frente. Sinceramente nunca acreditei no ataque apoiado, são os folgorosos contra-ataques aqueles que mais nos seduzem. A Vilhoa sempre funcionou um pouco assim. Viva aos “goles” cheios de coração e músculo. Por isso, nessa lógica, esperem nestas linhas por desabafos trôpegos. Confusões eloquentes. Provocações articuladas. Tudo isso em volta da cerveja: essa despretenciosa bebida que extravasa o copo. Esperem por escritas em sua volta e não sobre si mesma. Achamos que tal como uma esquisita peça de arte, uma piada sarcástica, ou e​ruditos versos de um poema, a cerveja não pode ser consumida de forma literal. Ela carrega em si conotações e indissiocrasias, motivos e expectativas, memórias, culturas e subculturas ocultas... Portanto, sendo o mote, ela nunca será o estanque e abrupto fim.

Prometemos apenas o preto das linhas e o branco das páginas. Ferramentas suficientes para interpretar, exaltar e celebrar não só a cerveja bem como tudo o que ela para nós significa. Nada nos resta dizer a não ser um cordial e expectante “até já”.

PS: É favor, para um melhor aproveitamento dos futuros textos, lê-los com baixas expectativas. Ou com três ou quatro cervejas no bucho, isso ajuda sempre. Se for artesanal, ainda melhor.

Diogo Jesus Abreu


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